Você acabou de se submeter a uma cirurgia com anestesia raquidiana e está enfrentando uma dor de cabeça intensa? Não se preocupe, você não está sozinho. Ou talvez você esteja se preparando para uma anestesia desse tipo e está preocupado com os possíveis efeitos colaterais? Seja qual for o seu caso, você está no lugar certo! A cefaleia pós-raqui é um efeito colateral comum desses procedimentos invasivos, mas há maneiras eficazes de aliviar e prevenir esse desconforto. Neste artigo, vamos explorar mais a fundo o que é exatamente a cefaleia pós-raqui e por que ela surge após esses procedimentos.
O que é a cefaleia pós-raqui?
A cefaleia pós-raqui é uma complicação frequentemente observada após cirurgias espinhais que envolvem a administração de anestesia subaracnóidea ou raquianestesia. Apesar de ser considerada uma complicação relativamente benigna, pode ser bastante debilitante para o paciente e requer atenção especial por parte dos profissionais de saúde.
Os pacientes geralmente experimentam a cefaleia pós-raquianestesia algumas horas ou dias após terem recebido a anestesia, e ela desaparece naturalmente. Esta dor de cabeça é mais intensa quando o paciente está na posição sentada ou em pé, melhorando notavelmente quando se deita. Além disso, ela é frequentemente acompanhada de sensibilidade à luz (fotofobia), sensibilidade ao som (fonofobia), náuseas e, em alguns casos, vômitos.
A cefaleia pós-raqui é categorizada como um tipo de cefaléia de baixa pressão, que emerge após procedimentos como anestesia raquidiana ou punção lombar. Outros termos utilizados para descrever essa condição incluem cefaleia pós-punção dural, cefaleia pós-punção lombar e até cefaleia pós-parto, já que a anestesia raquidiana geralmente é aplicada em partos.
Embora a associação com o parto seja frequente devido ao uso comum de anestesia peridural e raquianestesia, é importante ressaltar que essa dor de cabeça pode surgir em diversos contextos cirúrgicos além do parto. É possível desenvolver cefaleia pós-raqui após qualquer cirurgia que utilize a raquianestesia.
Quando a cefaleia pós-raqui começa?
O início da cefaleia pós-raqui ocorre tipicamente entre 24 e 48 horas após a punção, com uma duração prolongada em pacientes que necessitam de maior repouso pós-operatório. Raramente, ela se manifesta após o quinto dia da punção. A gravidade da dor aumenta devido à pressão nas veias jugulares e diminui pela pressão nas artérias carótidas.
Quanto tempo dura a cefaleia?
Felizmente, cerca de 70% das cefaleias pós-punção melhoram espontaneamente em uma semana, e 95% resolvem-se sem tratamento em seis semanas.
Embora a maioria dos casos se resolva por si só, em situações mais graves ou persistentes, pode ser necessário intervir com tratamentos médicos para aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente.
Taxa estimada de recuperação, em relação a duração que pode variar dias e meses:

Como a cefaleia pós-raqui se desenvolve?
Causas da dor de cabeça pós-punção lombar
Hipotensão liquórica
A cefaleia pós-raqui é geralmente desencadeada pela diminuição da pressão do líquido cefalorraquidiano (LCR) ao redor do cérebro e da medula espinhal. Essa diminuição ocorre devido a um vazamento de LCR através de uma abertura na dura-máter, a membrana protetora que envolve a medula espinhal.
Durante a punção lombar, seja para administração de anestesia ou para outros procedimentos cirúrgicos, uma agulha é inserida, criando uma pequena abertura na dura-máter. Se essa abertura não se fechar adequadamente, o líquido cefalorraquidiano pode vazar para fora do canal medular, resultando em uma redução da pressão dentro do crânio e, consequentemente, uma dor de cabeça.
Esse vazamento de fluido espinhal, ou LCR, resulta em uma condição conhecida como hipotensão liquórica. A quantidade de líquido vazado pode variar, afetando a gravidade dos sintomas. Além da dor de cabeça intensa, os pacientes podem experimentar tontura, náuseas, fraqueza e outros sintomas relacionados.
Essa diminuição na pressão do LCR também pode causar algumas alterações na estrutura cerebral, incluindo dilatação das veias intracranianas, dilatação das meninges, flacidez das estruturas intracranianas e estiramento dos nervos intracranianos sensoriais. Essas mudanças contribuem para o desenvolvimento da dor de cabeça pós-raqui.
É importante ressaltar que a cefaleia pós-raqui pode variar em gravidade e duração, mas geralmente melhora com o tempo.
Incidência de cefaleia pós-raqui
A cefaleia pós-raqui é uma complicação relativamente comum em procedimentos que envolvem punção lombar ou raquianestesia. A incidência varia amplamente em diferentes estudos e contextos clínicos, incluindo a técnica utilizada durante o procedimento, a experiência do profissional de saúde, a agulha utilizada e as características individuais do paciente.
Essa variação na incidência pode ser influenciada por fatores como a idade do paciente, volume de massa corporal, histórico de dores de cabeça e outros. Falaremos mais adiante dos fatores que favorecem a cefaléia pós-raqui.
Fatores de risco para cefaleia pós-raqui
O que favorece o surgimento da cefaleia pós-raquianestesia?
Vários fatores podem influenciar a probabilidade de uma pessoa desenvolver cefaléia pós-raqui após um procedimento como punção lombar ou raquianestesia. Entre esses fatores de risco estão:
- Pessoas que apresentam pressão liquórica mais baixa do que o habitual;
- Mulheres grávidas são suscetíveis à cefaléia pós-raqui devido aos altos níveis de estrogênio durante a gestação, o que pode resultar em uma pressão liquórica reduzida, contrariando a norma. Além disso, o processo de trabalho de parto, com seu aumento natural da pressão do líquido cefalorraquidiano, pode aumentar ainda mais a probabilidade de extravasamento durante uma punção lombar.
- Pessoas que já têm histórico de apresentar outros tipos de cefaleias (primárias ou secundárias);
- Posição em que foi realizado o procedimento (horizontal ou sentado) impacta na pressão do LCR;
- Pessoas de 18 a 30 anos;
- Pessoas mais magras, com IMC menor que 25 kg/m²;
- Pacientes passando por procedimentos envolvendo o uso de agulhas maiores ou múltiplas perfurações na membrana que envolve a medula espinhal;
- Pacientes com desidratação, pois baixos níveis de hidratação favorecem uma redução na quantidade de LCR e em sua pressão.
Agulha raquidiana
Estudos mostram que o tipo de agulha utilizada no procedimento impacta diretamente na incidência da cefaléia pós-raqui. O uso de agulhas mais finas e a reintrodução do estilete antes da remoção da agulha podem reduzir significativamente a incidência de cefaleia pós-punção dural (CPPD).

Fonte: Estudo Cefaléia pós-raquianestesia
Agulhas com ponta de lápis, que têm abertura semelhante às agulhas de ponta cortante, permitem uma saída mais rápida do líquido cefalorraquidiano (LCR) e uma injeção mais fácil do anestésico local, resultando em incisões menos dolorosas e menos perda de LCR.

Fonte: Estudo Cefaléia pós-raquianestesia
Além disso, a orientação correta do bisel da agulha, perpendicular ao eixo vertebral ou paralela às fibras da dura-máter, também está associada à redução da CPPD. Estudos revelaram uma relação inversa entre o diâmetro da agulha e a incidência de CPPD, confirmando que agulhas de calibre menor tendem a causar menos vazamento de LCR e, portanto, menos cefaleias.
É importante equilibrar a capacidade de manusear agulhas mais finas, que podem dobrar mais facilmente e exigir mais tempo para confirmar visualmente o LCR após a punção bem-sucedida, com a facilidade de punção e a incidência de complicações.
Se você for profissional da saúde, talvez goste do artigo “Cefaléia Pós-Raquianestesia: Causas, Prevenção e Tratamento” da SBA.
Características e sintomas da cefaléia pós-raqui
Cefaleia pós-raqui: como identificar
A cefaleia pós-raqui é predominantemente caracterizada por uma intensa dor de cabeça, sendo este o principal sintoma que a acompanha. Essa dor geralmente se manifesta na região frontal e occipital da cabeça, afetando ambos os lados, podendo se estender até a região cervical e dos ombros.
Um traço marcante dessa condição é a relação entre a posição do paciente e a intensidade da dor. Normalmente, a dor piora quando o paciente está sentado ou em pé, e melhora significativamente quando ele está deitado. Além da dor de cabeça, a cefaleia pós-raqui pode apresentar outros sintomas, tais como:
- Náuseas;
- Rigidez da nuca;
- Sensibilidade à luz (fotofobia);
- Zumbidos ou diminuição da capacidade auditiva;
- Tontura;
- Visão embaçada ou dupla;
- Vômitos;
- Dor ou rigidez no pescoço.
Saiba mais no artigo “Cefaléia Pós-Raquianestesia: Causas, Prevenção e Tratamento” da Revista Brasileira de Anestesiologia.
Como aliviar a dor de cabeça pós-raqui?
Tratamento da cefaleia pós-raquianestesia
O tratamento da cefaleia pós-raquianestesia visa aliviar os sintomas e promover o conforto do paciente durante o processo de recuperação. Embora essa condição possa desaparecer espontaneamente em algumas semanas, diversas abordagens podem ser adotadas para proporcionar alívio imediato e acelerar a melhora.
Entre as medidas iniciais, repouso na cama e hidratação adequada são recomendados para ajudar a aliviar a dor de cabeça e restaurar o equilíbrio do líquido cefalorraquidiano (LCR). A ingestão de líquidos pode ser complementada com cafeína, cujo potencial efeito vasoconstritor pode contribuir para aliviar os sintomas.
Analgésicos orais de venda livre, como paracetamol ou ibuprofeno, podem ser utilizados para controlar a dor de cabeça. No entanto, se a dor persistir ou se tornar intensa, o médico pode prescrever medicamentos mais potentes para o alívio dos sintomas.
Em casos de falha do tratamento conservador, uma opção terapêutica é o tampão sanguíneo peridural (blood patch). Esse procedimento consiste na injeção de uma pequena quantidade de sangue do próprio paciente no espaço onde ocorreu a punção inicial. O coágulo formado pelo sangue pode selar a abertura, restaurando a pressão normal do LCR e aliviando os sintomas.
Outras opções de tratamento incluem terapias alternativas, como acupuntura, massagem terapêutica e técnicas de relaxamento, que podem ajudar a complementar o tratamento convencional e promover o bem-estar do paciente.
É importante ressaltar que a escolha do tratamento adequado deve ser individualizada e orientada pelo médico.
Como evitar a cefaléia pós-raquianestesia?
Atualmente, não existem meios totalmente eficazes para evitar que os pacientes desenvolvam cefaleia após a raquianestesia. Apesar disso, os avanços no design das agulhas têm sido implementados visando minimizar o desconforto durante o procedimento e os anestesistas estão mais atentos adotando cuidados extras para evitar o surgimento dessa dor de cabeça.
Apesar dos esforços, estima-se que aproximadamente 0,4% da população geral e até 8% dos pacientes obstétricos ainda possam experimentar esse tipo de desconforto.
Anestesista em São Paulo?
Encontrar um anestesista de confiança pode ser uma tarefa desafiadora. Afinal, esse profissional desempenha um papel determinante na segurança e no bem-estar dos pacientes durante procedimentos cirúrgicos. Quando se trata da sua saúde, a confiança é fundamental, e escolher o anestesista certo é uma decisão importante. Felizmente, em São Paulo, no interior, na região de Campinas, há uma opção de excelência: o Grupo Care Anestesia (GCA).
Reconhecido internacionalmente por sua expertise e comprometimento com o cuidado dos pacientes, o GCA reúne uma equipe de profissionais altamente qualificados e dedicados ao proporcionar uma experiência segura e tranquila para todos os pacientes.
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1 Comentário. Deixe novo
Faz 02 meses que eu fiz uma cirurgia de hérnia humbilical e Epigástrica tomei a Raquiana de umas semanas pra cá venho sentindo um encômodo as vezes dor que começa nos ombros vai pra nunca e pra cabeça pressão normal bom normal eu não sentia nada disso isso está ocorrendo depois da cirurgia e é todos os dias o que fazer estou preocupada e isso me incomoda muito em uma consulta com o neuro ele me disse que é cefaléia tensional será isso mesmo!? Pq depois da cirurgia?!Da Anestesia