Ao longo deste artigo exploraremos os métodos de diagnóstico da endometriose, desde o exame clínico até os avançados exames de imagem. Ao final do artigo você saberá como descobrir a endometriose.
Vamos mergulhar nesse universo complexo para a saúde das mulheres.
Endometriose: causas e desenvolvimento da condição
A endometriose é uma condição crônica na qual o tecido semelhante ao endométrio, que normalmente reveste o interior do útero, é encontrado em locais fora do útero. Esses locais podem incluir os ovários, útero, trompas de falópio, intestinos e bexiga, e em casos raros, pode ser diagnosticado em outras áreas como fígado, cicatrizes antigas (como as de cesárea), diafragma, pele, pulmões e até no sistema nervoso central.
As lesões de endometriose podem se apresentar de diferentes formas, como lesões peritoneais, implantes superficiais ou cistos nos ovários, ou mesmo como doença infiltrativa profunda.
É importante destacar que a endometriose pode causar uma variedade de sintomas, incluindo dor pélvica intensa durante o período menstrual, dor durante a relação sexual, irregularidades menstruais, dor ao urinar ou defecar, entre outros. A presença dessas lesões pode ser acompanhada por inflamação, o que pode resultar em fortes dores abdominais.
A parte boa é que existem opções de tratamento disponíveis para ajudar a gerenciar os sintomas e melhorar a qualidade de vida das mulheres afetadas. Estes podem incluir medicamentos para alívio da dor, terapia hormonal, cirurgia para remover o tecido endometrial excessivo e terapias complementares como acupuntura e fisioterapia.
Assim, a endometriose é uma condição que pode ter um impacto significativo na vida diária das mulheres afetadas, e é crucial buscar apoio médico e tratamento adequado para lidar com esta condição de forma eficaz.
Fisiopatologia da endometriose
A endometriose não tem uma causa definitiva conhecida. Várias teorias foram propostas para explicar seu desenvolvimento, algumas das quais incluem:
Menstruação retrógrada:
Estudos sugerem que cerca de 90% das mulheres apresentam líquido livre na pelve durante o período menstrual, indicando possíveis episódios de refluxo tubário. Isso pode permitir que células endometriais migrem para o peritônio e outros órgãos pélvicos, iniciando a endometriose. No entanto, apenas cerca de 10% das mulheres desenvolvem a condição, o que sugere a influência de fatores hormonais e imunológicos na sobrevivência dessas células em locais inadequados.
Metaplasia celômica:
De acordo com esta teoria, as lesões de endometriose podem se originar diretamente de tecidos normais por meio de um processo de diferenciação metaplásica. Isso implica que células saudáveis podem se transformar em células semelhantes ao endométrio e se implantar em diferentes órgãos pélvicos, desencadeando a endometriose.
Teoria genética:
Predisposição genética ou alterações epigenéticas, combinadas com modificações no ambiente peritoneal, podem desempenhar um papel crucial no desenvolvimento da endometriose. Estas alterações genéticas podem tornar as mulheres mais suscetíveis à condição, influenciando sua forma e gravidade.
Endometriose como descobrir
Diagnóstico da endometriose
Quando uma mulher procura um ginecologista e expressa sintomas associados à endometriose, é comum que sejam solicitados diversos exames para investigação da condição.
Entre esses exames estão a ultrassonografia, os exames ginecológicos, a ressonância magnética e, em alguns casos, até mesmo a laparoscopia. Cada um desses procedimentos é importante para compreender melhor a situação da paciente e descobrir o diagnóstico, se necessário.
Exame clínico
Embora a identificação dos sintomas seja importante, é comum que o grau de dor e os achados pélvicos apresentem discordâncias. É essencial relatar detalhadamente os sintomas que possam indicar endometriose, como dor cíclica, aumento da dor durante relações sexuais ou evacuação, e se há irradiação da dor. O médico considerará a história clínica, antecedentes familiares e realizará um exame físico minucioso, incluindo o exame de toque vaginal.
Este exame permite a avaliação das condições da vagina, ovários, útero, trompas e outros órgãos pélvicos. Durante este exame, o ginecologista busca nódulos ou espessamento da parede vaginal, especialmente na região posterior e profunda, além de verificar a presença de aderências. Nódulos ou rugosidades enegrecidas no fundo de saco posterior, encontrados durante o exame especular, podem sugerir endometriose. Então, sim, o exame clínico é fundamental para o início da investigação para descobrir a endometriose.
É fundamental que o ginecologista esteja atento aos sintomas predominantes e aos sinais revelados durante o exame físico da paciente com endometriose, a fim de possibilitar um diagnóstico precoce da doença. No entanto, lamentavelmente, mesmo nos dias de hoje, o período médio estimado entre o surgimento dos sintomas relatados pelas pacientes e a confirmação definitiva do diagnóstico é de cerca de sete anos.
Empatia
Além do exame físico, é fundamental que o médico estabeleça uma relação de confiança e empatia com a paciente. Isso permite que ela se sinta à vontade para relatar seus sintomas de forma aberta e franca, mesmo quando se trata de questões íntimas e delicadas.
A escuta atenta do médico e a compreensão empática de suas preocupações são essenciais para garantir que a paciente receba o apoio e o cuidado adequados ao enfrentar os desafios físicos e emocionais associados à endometriose.
Portanto, o exame clínico não se limita apenas à avaliação física! Essa relação terapêutica é fundamental para garantir um diagnóstico preciso, um plano de tratamento eficaz e o apoio necessário para enfrentar os desafios que a endometriose pode apresentar.
A indicação clínica acompanhada do exame físico levanta a possibilidade de endometriose, contudo, para confirmar o diagnóstico, são necessárias ferramentas diagnósticas adicionais. É nesse ponto que entram em cena os exames que serão discutidos a seguir.
Endometriose como descobrir
Exame de sangue – CA 125
O exame de sangue CA 125 avalia a quantidade de proteínas CA-125 na corrente sanguínea, e pode ser solicitado ocasionalmente por médicos. Essa proteína, naturalmente presente no corpo, quando em doses elevadas, pode indicar uma condição instável.
As concentrações normais de CA-125 no sangue devem ser iguais ou inferiores a 35 U/mL. Valores acima desse limite podem sugerir a presença de algum problema de saúde. Este exame é útil para detectar uma série de doenças, como câncer de ovário, câncer de endométrio, câncer no peritônio, endometriose, cisto no ovário, cirrose, pancreatite e doença inflamatória pélvica.
No entanto, é importante ressaltar que um nível elevado de CA 125 nem sempre indica endometriose ou câncer. Durante o primeiro trimestre da gravidez ou durante o ciclo menstrual, os níveis de CA 125 podem estar naturalmente elevados. Além disso, outras condições médicas também podem resultar em níveis aumentados de CA 125.
A análise holística do profissional médico é determinante para um diagnóstico preciso, uma vez que um resultado elevado de CA 125 pode necessitar de exames de imagem adicionais para uma melhor compreensão da condição.
Portanto, o exame de sangue CA 125 não deve ser utilizado isoladamente como ferramenta de diagnóstico, e muitas vezes pode nem ser solicitado pelo médico devido à sua complexidade e às várias variáveis envolvidas.
Em geral, o fluxo diagnóstico inclui o exame clínico, seguido de exames de imagem para uma avaliação completa da condição.
Endometriose como descobrir
Exames de imagem
Os métodos de imagem são fundamentais na detecção e compreensão da endometriose. O ultrassom pélvico e transvaginal, abdominal e a ressonância magnética são os principais recursos utilizados pelos médicos para investigar essa condição e descobrir a endometriose.
Durante esses exames, o radiologista examina cuidadosamente uma série de estruturas, desde o útero até as paredes pélvicas, incluindo também os ligamentos, o fórnice vaginal e órgãos como o apêndice, a bexiga e os ovários. Essa abordagem abrangente é essencial para identificar possíveis áreas afetadas pela endometriose e entender a extensão da doença, possibilitando um diagnóstico mais preciso e um planejamento de tratamento adequado.
Ultrassonografia pélvica e transvaginal
para descobrir a endometriose
A ultrassonografia é amplamente empregada na avaliação da saúde ginecológica, incluindo o diagnóstico de endometriose, devido a diversos motivos:
- Permite uma excelente visualização da cavidade pélvica da mulher.
- É frequentemente o primeiro exame realizado em pacientes com suspeita clínica de endometriose.
- Inicialmente é menos invasivo e mais acessível que a ressonância magnética para algumas mulheres.
- Proporciona contato próximo com a paciente, permitindo uma anamnese detalhada.
- É rápido, com duração média de até 30 minutos, e realizado com a paciente na posição ginecológica.
- Utiliza um transdutor coberto por gel e preservativo protetor, inserido suavemente pelo canal vaginal.
- Não é adequado e não deve ser realizado em mulheres virgens.
- Durante o exame, o transdutor emite ondas sonoras de alta frequência para criar imagens em tempo real dos órgãos pélvicos.
- Essas ondas permitem determinar o tamanho, a forma e a consistência dos tecidos no organismo.
- Pode causar leve desconforto, principalmente em pacientes com focos profundos de endometriose.
- O médico deve ser informado para minimizar o desconforto durante o exame.
- Oferece uma visualização detalhada das estruturas internas do sistema reprodutivo feminino, detectando possíveis lesões endometrióticas.
- É especialmente útil na identificação de endometriomas devido à sua especificidade e sensibilidade.
- Possibilita uma visualização precisa dos órgãos pélvicos, como útero, ovários e trompas de falópio.
- Pode também identificar aderências na parede vaginal.
- Além disso, avalia a presença de endometriose em órgãos adjacentes, como intestino, bexiga e peritônio.
- Para uma avaliação adequada da bexiga, recomenda-se realizar o exame com a bexiga cheia e vazia.
- Pode ser realizado sem preparo para triagem simples, mas requer preparo intestinal para mapeamento completo da pelve e pesquisa de endometriose profunda.
- Este preparo geralmente inclui laxantes e uma dieta pobre em resíduos.
- Erros na interpretação das imagens, em função de gases e fezes confundidas com focos de endometriose, podem prejudicar o tratamento, especialmente em cirurgias, onde as decisões dependem do diagnóstico por imagem.
- A expertise do médico ultrassonografista é fundamental, especialmente na identificação de endometriose profunda.
- Embora seja uma ótima ferramenta, a ultrassonografia tem limitações na detecção de lesões muito volumosas, como miomas e endometriomas grandes.Neste caso, é indicado a RM.
Em resumo, a ultrassonografia pélvica e transvaginal desempenha um papel importante para descobrir a endometriose, permitindo um acompanhamento eficaz e auxiliando na definição do tratamento para melhorar a qualidade de vida das pacientes.
Ultrassonografia abdominal
Exame para descobrir a endometriose em outros locais do corpo
- A ultrassonografia abdominal é uma ferramenta útil na busca por focos de endometriose em áreas como o apêndice, intestino grosso e delgado, além de aderências associadas.
- Permite também avaliar a função renal, detectando possíveis dificuldades de esvaziamento devido à obstrução do ureter por endometriose.
- Além disso, é capaz de avaliar o fígado e o diafragma, regiões menos comuns para ocorrência de endometriose, mas que também podem ser afetadas.
Ressonância Magnética
exame avançado para descobrir a endometriose
A ressonância magnética (RM) é uma técnica avançada de imagem utilizada no diagnóstico da endometriose. Vamos entender melhor agora os motivos:
- A RM permite a criação de imagens detalhadas das estruturas internas do corpo.
- A ressonância realiza o mapeamento profundo em locais não acessíveis à ultrassonografia, oferecendo imagens de alta definição de todas as áreas e órgãos.
- Os achados de RM são mais específicos que os de ultrassonografia e tomografia computadorizada, permitindo a identificação de endometriomas maiores que 1 cm.
- A ressecção completa das lesões é o padrão-ouro para o tratamento da endometriose, e se o tratamento envolver cirurgia, a RM é frequentemente solicitada, visto que oferece informações além dos dados clínicos ou de ultrassonografia.
- Na avaliação da endometriose, a RM é eficaz na visualização de lesões endometrióticas em órgãos pélvicos, como útero, ovários e estruturas adjacentes.
- A RM fornece imagens em diferentes planos, auxiliando os médicos na elaboração de um plano de tratamento personalizado para cada paciente.
- Indicada para casos com massas mais densas no útero e paredes ao redor, a RM pode identificar aderências entre os órgãos, a extensão das lesões subperitoneais, áreas de inflamação e outras anormalidades associadas à endometriose.
- No entanto, a RM enfrenta dificuldades na identificação de lesões pequenas no peritônio e intestino, sendo menos eficaz para lesões superficiais com menos de 1 mm de invasão do peritônio.
- Em alguns casos, o ginecologista pode solicitar a neurografia com difusão através da RM para avaliar o acometimento das raízes nervosas para um planejamento cirúrgico mais preciso.
Se você for da área médica, talvez queira visitar o artigo ‘Ressonância magnética na endometriose pélvica profunda: ensaio iconográfico’, produzido pela Radiologia Brasileira.
Conclusão:
Após explorarmos os diferentes métodos de diagnóstico da endometriose, desde o exame clínico até os exames de imagem avançados, fica evidente a complexidade dessa condição e a importância de uma abordagem multidisciplinar para seu diagnóstico e tratamento adequados.
Desde a ultrassonografia, que oferece uma visão detalhada dos órgãos pélvicos, até a ressonância magnética, que permite uma avaliação profunda e precisa das lesões, cada exame desempenha um papel fundamental no diagnóstico e no planejamento do tratamento.
No entanto, é fundamental reconhecer que a endometriose foi subestimada por muito tempo, tanto pelas pessoas afetadas quanto pelos profissionais de saúde que não investigavam os sintomas com a devida profundidade.
Como os sintomas da endometriose podem se sobrepor a outras condições, é essencial adotar uma abordagem diligente e minuciosa na investigação dos mesmos. Se você reconhece algum dos sintomas mencionados aqui, é crucial procurar um ginecologista. Se, após uma avaliação inicial, a endometriose não for diagnosticada e mesmo seguindo o tratamento recomendado para outra condição os sintomas persistirem, não desista. É imprescindível retornar ao médico e, em último caso, buscar uma segunda opinião médica.
É importante ressaltar que sentir dor não é normal e deve ser encarado como um sinal de alerta do corpo. Portanto, persista na busca por respostas.
Saiba mais sobre o ‘Protocolo da Endometriose’, elaborado pela Federal Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.
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